terça-feira, 20 de outubro de 2009

1912 - 1989 ____________________Edmar Morel


Edmar Morel nasceu no Ceará em 1912; mas foi no Rio de Janeiro que ele atuou sempre e foi um dos mais famosos repórteres do Brasil nas décadas de 1930 e 1960. Os principais nomes da imprensa com os quais ele conviveu e trabalhou, como Assis Chateaubriand, Samuel Wainer, Roberto Marinho, Carlos Lacerda e muitos outros. Edmar protagonizou momentos importantes da história do jornalismo no século 20, incluindo reportagem e grande repercussão, campanhas, denúncias e relatos sobre jornais que desapareceram.

Edmar Morel trabalhou, desde publicações de esquerda e de oposição como A Manhã, Panfleto, Diretrizes, e O Semanário, até os grandes veículos que modernizaram a imprensa, como Jornal do Brasil, O Globo, os órgãos dos Diários Associados e Última Hora. Edmar foi um dos criadores da moderna reportagem no Brasil, com papel de destaque ao lado de outros de sua geração. Eram artigos que mobilizavam o imaginário coletivo daquela época, marcada pela sede de progresso, expressando anseios e valores que permeavam a sociedade, muitas vezes colocando em xeque alguns desses valores estabelecidos. Com seu nome projetado pela mídia impressa e radiofônica, muitas vezes em manchetes de letras garrafais, Edmar teve a habilidade de não isolar-se. Suas reportagens de impacto eram lidas e comentadas nos bondes, nos cafés, nas rodas de família e nos gabinetes das autoridades.

Edmar Morel pisava em campos distintos, transitava na fronteira (ou corda-bamba) entre os modernos meios de comunicação de massas (a imprensa) e aquelas aspirações políticas e sociais mais agudas, identificadas no campo da esquerda nacionalista e democrática, não raro mais “à esquerda” do que as diretrizes do Partido Comunista. Fazendo esta ponte, ele foi talvez o criador de um determinado estilo de fazer reportagem, ao qual ele denominava “reportagem popular”. Que teve seu apogeu justamente nos anos 1940 – 1960 (o chamado período nacional-popular) e foi por água-abaixo com o golpe civil-militar de 1964, rompendo a ponte e a corda-bamba. Ele foi ainda autor de 16 livros, a maioria de História do Brasil, sendo chamado pela crítica de “historiador dos oprimidos”.

Edmar Morel freqüentava a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), nos anos 1970 e 1980. A luta pela liberdade de expressão, pelos direitos humanos, pela defesa da soberania nacional e pela radicalidade dos ideais democráticos na construção de uma sociedade mais justa era a marca desta paixão e a ABI o espaço privilegiado onde ele atuava. A ABI também como lugar de sociabilidade, de encontros, de bate-papo, discussões que fazem parte desta teia cotidiana que é fazer política e estar no mundo.

Edmar como tantos outros na ABI, tivera seus direitos políticos cassados, isto é, não podia votar, nem ser votado, nem ter cargo público ou empréstimo de bancos oficiais, por exemplo. Cassado mas não castrado, como costumava brincar (era sempre brincalhão, de bom humor), foi nesse contexto, pelo qual os grandes jornais fechavam as portas para ele e outros grandes jornalistas numa demonstração de totalitarismo político, que Edmar Morel começou a fazer as pesquisas que resultaram no livro sobre a ABI – que recebeu o Prêmio Gustavo de Lacerda instituído pela Casa como a melhor monografia sobre o assunto no difícil ano de 1968.

Sem nenhuma propriedade privada além dos livros, de um Fusca usado, das roupas e móveis do apartamento, Edmar faleceu no Rio de Janeiro aos 77 anos, nas vésperas da eleição de 15 de novembro de 1989, abatido pelas doenças, mas ainda guardando a mesma têmpera do “foca” que viera do Ceará cavar um lugar ao sol no Rio de Janeiro.

Figura bem importante do jornalismo brasileiro, que também contribuiu de modo significativo para o progresso de nossa imprensa. Se fosse possível resumir sua longa carreira, em uma única palavra, seria: ‘dedicação’.

Faço minhas, as palavras de Alberto Dines, quando fala o seguinte a respeito de Edmar Morel: “No momento em que a imprensa converte-se em notícia – geralmente desfavorável – e rareiam os que lembram o jornalismo como a última profissão romântica, este relato de Edmar Morel deve funcionar como alento e estímulo. Edmar Morel queria consertar o mundo e, ao longo de seis décadas, fez do jornalismo a sua ferramenta. Foi essencialmente um repórter, poucas vezes abancou-se na cadeira de chefe e, graças a isso, converteu-se num dos melhores buscadores de informações que o Brasil já teve.”



Por: Mozara Tátila




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