terça-feira, 20 de outubro de 2009

1762-1838 ______________ Cipriano Barata


Cipriano José Barata de Almeida nasceu em Salvador no ano de 1762 e faleceu em Natal, 1838, aos 76 anos. Formado em Filosofia pela Universidade de Coimbra, estreou no Jornalismo aos 60 anos de idade, na Gazeta Pernambucana, no Recife. Em 9 de abril de 1823, fundou seu próprio veículo de comunicação, o jornal Sentinela da Liberdade. Esteve presente em todo o processo de “fundação” do Brasil: desde a crise do sistema colonial no fim do século XVIII, passando pela independência nos anos de 1820 e pelas lutas de construção do Estado Nacional dos anos de 1830. Através da imprensa se tornou uma figura pública marcante e bastante perseguida.

Chamado de “Campeão da Liberdade” pelos admiradores, por defender ardorosamente a liberdade de imprensa, foi também muito odiado pelos adversários. Fazendo parte da primeira geração de jornalistas brasileiros, ganhou destaque por conta da maneira intransigente como defendia seus ideais, motivo que o levou a cárceres coloniais, imperiais e regenciais. Apesar disso, suas Sentinelas da Liberdade não deixaram de ser publicadas e a cada edição era incluído no logotipo do jornal o nome do local onde ele estava preso, criando dessa forma o jornalismo do cárcere.

Com uma linguagem crítica e desafiadora denunciava o que estava errado no poder vigente e disseminava suas idéias, agitando a população. Pioneiro do jornalismo patriótico, tinha uma característica política específica, o Liberalismo Exaltado, apresentando-se em manifestações públicas “com um ramo de café nas mãos, vestindo casaca preta de algodão da terra e chapéu de palha”, comunicando-se também pela roupa. Para o historiador Caio Prado Júnior “Cipriano José Barata de Almeida é uma figura pouco lembrada na história revolucionária do Brasil. É, entretanto, uma de suas maiores expressões, porque em sua longa vida não teve um só momento de descanso, dedicando às lutas populares todas as suas energias e seu grande talento.”


As idéias polêmicas de Cipriano Barata

A liberdade de imprensa
“Toda e qualquer Sociedade, onde houver imprensa livre, está em liberdade; que esse Povo vive feliz e deve ter aumento, alegria, segurança e fortuna; se, pelo contrário, aquela Sociedade ou Povo, que tiver imprensa cortada pela censura prévia, presa e sem liberdade, seja debaixo de que pretexto for, é povo escravo, que pouco a pouco há de ser desgraçado até se reduzir ao mais brutal cativeiro.”
(1823)

O imperador D. Pedro I
“Traidores, que ainda parecem esperar pelo Demônio do Brasil, ex-imperador D. Pedro I, não obstante ser este um monstro assassino e crudelíssimo traidor, adúltero forçador de casadas, chefe dos crapulosos, ladrão insaciável, ímpio, perjuro, hipócrita, modelo de vício da torpeza, mais do que os janízaros de Constantinopla, tirano feroz, escravizador do Brasil, enfim, Demônio que apenas pode ser comparado a ele só, etc.”
(1832)

Idéia de Revolução
“Em uma Revolução o povo reassume a sua autoridade e os seus Direitos imprescritíveis e destrói o seu Governo aniquilando os Reis, as Leis, e tudo velho para criar tudo novo, segundo sua Soberana Vontade.”
(1823)

Desigualdades sociais
“Não receberei anúncios sobre venda e fugas de escravos; minha Gazeta não é leilão, nem capitão-do-mato.”
(1831)

República
“Nas monarquias os Sábios só podem conseguir alguma coisa sendo de espírito baixo e servil, e de todo sujeito aos Déspotas (...). Na República temos aqueles com inclinação e talento para os estudos e letras, fazendo-se notáveis pelas ciências, e adquirindo por elas honra e fama.”
(1834)



Por Alyne Danielle


REFERÊNCIA TEXTO: Cipriano Barata, Símbolo do jornalismo panfletário, de José Marques de Melo.

REFERÊNCIA FOTO: oglobo.globo.com/.../2009/06/110_11-cipriano.jpg

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