1912 - 1989 ____________________Edmar Morel
Edmar Morel nasceu no Ceará em 1912; mas foi no Rio de Janeiro que ele atuou sempre e foi um dos mais famosos repórteres do Brasil nas décadas de 1930 e 1960.
Edmar Morel trabalhou, desde publicações de esquerda e de oposição como A Manhã, Panfleto, Diretrizes, e O Semanário, até os grandes veículos que modernizaram a imprensa, como Jornal do Brasil, O Globo, os órgãos dos Diários Associados e Última Hora.
Edmar Morel pisava em campos distintos, transitava na fronteira (ou corda-bamba) entre os modernos meios de comunicação de massas (a imprensa) e aquelas aspirações políticas e sociais mais agudas, identificadas no campo da esquerda nacionalista e democrática, não raro mais “à esquerda” do que as diretrizes do Partido Comunista. Fazendo esta ponte, ele foi talvez o criador de um determinado estilo de fazer reportagem, ao qual ele denominava “reportagem popular”. Que teve seu apogeu justamente nos anos 1940 – 1960 (o chamado período nacional-popular) e foi por água-abaixo com o golpe civil-militar de 1964, rompendo a ponte e a corda-bamba. Ele foi ainda autor de 16 livros, a maioria de História do Brasil, sendo chamado pela crítica de “historiador dos oprimidos”.
Edmar Morel freqüentava a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), nos anos 1970 e 1980. A luta pela liberdade de expressão, pelos direitos humanos, pela defesa da soberania nacional e pela radicalidade dos ideais democráticos na construção de uma sociedade mais justa era a marca desta paixão e a ABI o espaço privilegiado onde ele atuava. A ABI também como lugar de sociabilidade, de encontros, de bate-papo, discussões que fazem parte desta teia cotidiana que é fazer política e estar no mundo.
Edmar como tantos outros na ABI, tivera seus direitos políticos cassados, isto é, não podia votar, nem ser votado, nem ter cargo público ou empréstimo de bancos oficiais, por exemplo. Cassado mas não castrado, como costumava brincar (era sempre brincalhão, de bom humor), foi nesse contexto, pelo qual os grandes jornais fechavam as portas para ele e outros grandes jornalistas numa demonstração de totalitarismo político, que Edmar Morel começou a fazer as pesquisas que resultaram no livro sobre a ABI – que recebeu o Prêmio Gustavo de Lacerda instituído pela Casa como a melhor monografia sobre o assunto no difícil ano de 1968.
Sem nenhuma propriedade privada além dos livros, de um Fusca usado, das roupas e móveis do apartamento, Edmar faleceu no Rio de Janeiro aos 77 anos, nas vésperas da eleição de 15 de novembro de 1989, abatido pelas doenças, mas ainda guardando a mesma têmpera do “foca” que viera do Ceará cavar um lugar ao sol no Rio de Janeiro.
Figura bem importante do jornalismo brasileiro, que também contribuiu de modo significativo para o progresso de nossa imprensa. Se fosse possível resumir sua longa carreira, em uma única palavra, seria: ‘dedicação’.
Por: Mozara Tátila